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O
sentido de se organizar uma Central de Negócios é
a existência de problemas concretos para os quais a união
das pessoas é a solução mais eficaz para resolve-los.
Somar esforços, dinheiro, equipamentos, vontade e desejo
de várias pessoas torna tudo mais fácil, mais barato
e possível de ser realizado. Esse é o fundamento essencial
do processo associativo: a soma de esforços proporcionando
soluções mais eficazes para problemas coletivos.
Nessa
perspectiva você já percebe que as principais orientações
para organização de uma Central de Negócios
são as mesmas que para cooperativas, oscips e, provavelmente,
para quaisquer outras formas de organização de base
coletiva: a formação de um grupo de pessoas conscientes
de suas responsabilidades e direitos para com a instituição
e comprometidas com a realização dos objetivos propostos
no estatuto.
Portanto, antes de efetivar a organização formal da
Central de Negócios, é necessário ter o grupo
organizado e mobilizado para dar a efetiva sustentação
ao projeto.
·
É provável que o grupo de empresários que lhe
procure para obter informações sobre tema, já
terá ouvido falar das vantagens que o modelo oferece. Talvez
esteja ávido para organizar uma estrutura semelhante e se
beneficiar do processo. Ë importante você ajuda-los a
perceber que a organização de uma Central de Negócios
deve fazer parte de uma estratégia de negócio e não
apenas uma organização para gerar ganhos imediatos.
Uma
Central pode propiciar melhor negociação com fornecedores
com conseqüente melhora no preço de compra de mercadorias,
construção de uma marca própria, treinamento
de empregados, troca de experiências entre outros. Tudo isso
é muito bom e são esses resultados que o empresário
estará buscando. O que provavelmente ele não sabe
é que participar da Central vai obriga-lo a modificar a forma
de gerenciar seu próprio negócio. Vejamos um exemplo
prático:
. Um grupo de pequenos supermercadistas quer se unir para compras
em comum. Para se beneficiar do aumento de escala que a compra
conjunta possibilita, eles terão que comprar todos na mesma
época, inclusive com os mesmos prazos de pagamento. Na
prática isso os obrigará a uma adequação
coletiva das compras. Pode ser que um deles naquele momento não
esteja precisando do produto, outro quer outra marca, um terceiro
precisa de um outro tipo de prazo. Veja que eles precisarão
ter muita consciência do processo de funcionamento da Central,
pois pode significar que eles terão que se adaptar as necessidades
de compras uns dos outros, não mais se restringindo as
suas próprias necessidades. Esse tem sido um dos gargalos
na organização das Centrais, pois, essa adequação
pode levar um tempo maior do que imaginavam e, também,
uma negociação constante para a qual, na maioria
das vezes, eles não estão acostumados.
. Outro fato interessante é o tamanho das empresas associadas.
Diferenças muito grandes de porte das empresas também
inviabilizam o modelo, pois as necessidades de compra serão
muito diferentes. Esse é um cuidado a ser tomado porque
a tendência em alguns casos é a de um grupo de supermercadistas
de pequeno porte verem na união com um supermercadista
de médio porte, a forma para gerar a escala necessária
para viabilizar redução de preços na compra
conjunta. Na prática as necessidades de compra serão
muito diferentes e inviabilizará a formação
do grupo, pois as negociações terão sempre
como norte o comprador mais forte do grupo.
. Participar de uma central exigirá a participação
em uma série de reuniões para decidir as ações
da central. Como a maioria dos associados tende a ser pequenos
empresários envolvidos com todos os aspectos da empresa,
compra, administração, RH, pagamentos, tesouraria,
a “falta de tempo” para participar da vida da Central
tem sido elemento de dissensão de muitas delas. Uma
Central é um outro “negócio” que o grupo
estará criando e deve ser tratado como tal. Sem
a dedicação dos “donos” não poderá
gerar os resultados esperados.
·
Uma Central de Negócios tem personalidade jurídica
própria e gestão democrática definida por seus
membros.
·
Com esses exemplos queremos destacar o fato de que a organização
da Central deve estar baseada em uma estratégia de mercado
e não apenas na redução de custos, fator que,
aliás, é importante, mas não o único
benefício que uma central pode gerar. O sentido de se destacar
a importância estratégica da Central é justamente
o de auxiliar o grupo a decidir pela organização ou
não da mesma. As perguntas que caberiam numa fase inicial
de sensibilização deverão leva-los a refletir
sobre:
. Onde quero chegar com minha empresa?
. Posso chegar lá sozinho?
. Que vantagens a participação em uma Central trará
para o meu negócio?
. Por que me associarei a uma Central?
. Estou disposto a dividir decisões relacionadas a minha
própria empresa com outras pessoas?
·
Em uma fase posterior caberá ainda, um estudo de viabilidade
econômica da própria Central. Os investimentos necessários
para o seu funcionamento compensarão os ganhos que ela pode
gerar? Como serão distribuídas essas despesas? Pagar
a conta também tem sido ponto de estrangulamento nesse modelo.
· Um fator determinante no processo será a relação
de confiança que os participantes construirão entre
si. Como qualquer processo associativo, a confiança
mútua é o ingrediente fundamental para o sucesso do
modelo.
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