P R I M E I R A   P Á G I NA
C E N T R A L  D E   N E G Ó C I O S
1 Introdução
2 Central de Negócios, o que é
3 Principais Características
4 Considerações importantes para o seu trabalho
5 Sugestão de roteiro para organizar uma Central de Negócios
6 Documentos necessários
7 Fontes pesquisadas
8

Anexos

. Modelos de Estatuto


   
  Créditos

 



 

 

 

4. C O N S I D E R A Ç Õ E S   I M P O R T A N T E S   
     P A R A   O   S E U   T R A B A L H O


O sentido de se organizar uma Central de Negócios é a existência de problemas concretos para os quais a união das pessoas é a solução mais eficaz para resolve-los. Somar esforços, dinheiro, equipamentos, vontade e desejo de várias pessoas torna tudo mais fácil, mais barato e possível de ser realizado. Esse é o fundamento essencial do processo associativo: a soma de esforços proporcionando soluções mais eficazes para problemas coletivos.

Nessa perspectiva você já percebe que as principais orientações para organização de uma Central de Negócios são as mesmas que para cooperativas, oscips e, provavelmente, para quaisquer outras formas de organização de base coletiva: a formação de um grupo de pessoas conscientes de suas responsabilidades e direitos para com a instituição e comprometidas com a realização dos objetivos propostos no estatuto.
Portanto, antes de efetivar a organização formal da Central de Negócios, é necessário ter o grupo organizado e mobilizado para dar a efetiva sustentação ao projeto.

· É provável que o grupo de empresários que lhe procure para obter informações sobre tema, já terá ouvido falar das vantagens que o modelo oferece. Talvez esteja ávido para organizar uma estrutura semelhante e se beneficiar do processo. Ë importante você ajuda-los a perceber que a organização de uma Central de Negócios deve fazer parte de uma estratégia de negócio e não apenas uma organização para gerar ganhos imediatos.

Uma Central pode propiciar melhor negociação com fornecedores com conseqüente melhora no preço de compra de mercadorias, construção de uma marca própria, treinamento de empregados, troca de experiências entre outros. Tudo isso é muito bom e são esses resultados que o empresário estará buscando. O que provavelmente ele não sabe é que participar da Central vai obriga-lo a modificar a forma de gerenciar seu próprio negócio. Vejamos um exemplo prático:

. Um grupo de pequenos supermercadistas quer se unir para compras em comum. Para se beneficiar do aumento de escala que a compra conjunta possibilita, eles terão que comprar todos na mesma época, inclusive com os mesmos prazos de pagamento. Na prática isso os obrigará a uma adequação coletiva das compras. Pode ser que um deles naquele momento não esteja precisando do produto, outro quer outra marca, um terceiro precisa de um outro tipo de prazo. Veja que eles precisarão ter muita consciência do processo de funcionamento da Central, pois pode significar que eles terão que se adaptar as necessidades de compras uns dos outros, não mais se restringindo as suas próprias necessidades. Esse tem sido um dos gargalos na organização das Centrais, pois, essa adequação pode levar um tempo maior do que imaginavam e, também, uma negociação constante para a qual, na maioria das vezes, eles não estão acostumados.

. Outro fato interessante é o tamanho das empresas associadas. Diferenças muito grandes de porte das empresas também inviabilizam o modelo, pois as necessidades de compra serão muito diferentes. Esse é um cuidado a ser tomado porque a tendência em alguns casos é a de um grupo de supermercadistas de pequeno porte verem na união com um supermercadista de médio porte, a forma para gerar a escala necessária para viabilizar redução de preços na compra conjunta. Na prática as necessidades de compra serão muito diferentes e inviabilizará a formação do grupo, pois as negociações terão sempre como norte o comprador mais forte do grupo.

. Participar de uma central exigirá a participação em uma série de reuniões para decidir as ações da central. Como a maioria dos associados tende a ser pequenos empresários envolvidos com todos os aspectos da empresa, compra, administração, RH, pagamentos, tesouraria, a “falta de tempo” para participar da vida da Central tem sido elemento de dissensão de muitas delas. Uma Central é um outro “negócio” que o grupo estará criando e deve ser tratado como tal. Sem a dedicação dos “donos” não poderá gerar os resultados esperados.

· Uma Central de Negócios tem personalidade jurídica própria e gestão democrática definida por seus membros.

· Com esses exemplos queremos destacar o fato de que a organização da Central deve estar baseada em uma estratégia de mercado e não apenas na redução de custos, fator que, aliás, é importante, mas não o único benefício que uma central pode gerar. O sentido de se destacar a importância estratégica da Central é justamente o de auxiliar o grupo a decidir pela organização ou não da mesma. As perguntas que caberiam numa fase inicial de sensibilização deverão leva-los a refletir sobre:

. Onde quero chegar com minha empresa?

. Posso chegar lá sozinho?

. Que vantagens a participação em uma Central trará para o meu negócio?

. Por que me associarei a uma Central?

. Estou disposto a dividir decisões relacionadas a minha própria empresa com outras pessoas?

· Em uma fase posterior caberá ainda, um estudo de viabilidade econômica da própria Central. Os investimentos necessários para o seu funcionamento compensarão os ganhos que ela pode gerar? Como serão distribuídas essas despesas? Pagar a conta também tem sido ponto de estrangulamento nesse modelo.

· Um fator determinante no processo será a relação de confiança que os participantes construirão entre si. Como qualquer processo associativo, a confiança mútua é o ingrediente fundamental para o sucesso do modelo.