P R I M E I R A   P Á G I NA
C u l t u r a   d a   C o o p e r a ç ã o
1 Introdução
2 Cultura da cooperação: aprendendo com girassóis e jardins
3 O papel do agente de mudança em relações de cooperação
4 Anexo I

Fatores importantes a serem observados na Constituição/Formação, Funcionamento e acompanhamentos de grupos associativos
5 Anexo II

Contos e histórias: a importância das metáforas

Os macacos e a escada

Um modo de vida

Os sons da floresta

Os talentos

As longas colheres - sendo solidários

A flor e a pedra
   
  Créditos

 



 

 

 

3. O   P A P E L   D O   A G E N T E   D E   M U D A N Ç A   E M
     R E L A Ç Õ E S   D E   C O O P E R A Ç Ã O


“... O homem que age é um agente que delibera sobre coisas porque está consciente de suas finalidades, busca sentido, pessoal e coletivo, em tudo que faz”.(LUNA, 2003).

Pressupondo relações onde prevaleçam o sentimento e o fazer cooperativo, estaremos pensando em uma nova pedagogia, uma forma de educação que vá além do discurso e que garanta a criação de acontecimentos – exercícios pedagógicos – onde a relação ocupe lugar central. Tecnicamente, o aprendiz – seja o indivíduo, o grupo, a organização ou a comunidade – é visto como ator principal de sua vida e de suas proposições.


Protagonista, sujeito de ação, opção e responsabilidade, capaz de planejar, executar, avaliar e se apropriar dos resultados considerando sempre a comunidade, seu bem-estar e sustentabilidade: fazer juntos, autonomamente.
Colocando em pauta os desafios a serem enfrentados pelos agentes de mudança, técnicos ou gestores, na passagem de uma cultura marcadamente individualista para uma outra que pressuponha o exercício da cooperação, lembramos CREMA (1998):
“Vale aqui a regra de que só podemos facilitar ao outro o crescimento que já logramos em nós mesmos; só podemos conduzi-los até o ponto em que chegamos. Não é possível iluminar para o outro, uma parte, que em nós é escuridão”. (CREMA, 1998)

É preciso, portanto, olhar para dentro. Esquecer as mesmices e nos dispor, enquanto pessoas, a vencer os nossos próprios paradigmas. Teremos que travar uma luta interna, em momentos de reflexão, revisão e contestação dos modelos de comportamentos até então adotados por nós. Teremos que nos desapegar de verdades prontas e nos disponibilizar a aprender a aprender A mudança se concretiza em nossas ações diárias, somente assim, o nosso discurso não será vazio e seremos agentes capazes de auxiliar outros sujeitos, organizações, empresas e comunidades em seus processos de mudança.

Não existem receitas prontas, respostas à priori que nos capacitem a essa tarefa. Contudo, o primeiro passo é acreditar que pessoas podem promover mudanças e transformar realidades.

Ao refletir sobre quem é o agente de mudanças, qual o seu papel e que habilidades deve possuir para desenvolver seu trabalho, temos a falsa sensação de que deverá ser uma pessoa “pronta” para se relacionar, conviver em grupo e cooperar. Afinal de contas, a lista que compõe as habilidades necessárias ao desempenho desse papel é, a princípio, assustadora. Poderíamos começar dizendo da necessidade de desenvolver a atenção plena, a paciência, a flexibilidade, o bom humor, a capacidade de argumentação, de compartilhar, de inovar, de influenciar positivamente as pessoas, além de uma grande competência técnica. Ousaria dizer que este é o desafio de toda pessoa que almeja crescer enquanto ser humano. E aqui se encontra a essência de um agente: ser humano. Acabamos por fazer uma descoberta, todos os homens são agentes de mudança. Trabalhar em uma cultura que pressupõe cooperação é auxiliar sujeitos a se descobrirem protagonistas de suas histórias, de seus fazeres e, portanto, responsáveis perante suas escolhas.

Algumas indagações surgem, neste momento: como é possível realizar este trabalho? De que recursos, ferramentas, métodos e técnicas poderemos lançar mão?

Primeiro, como já sabemos não haver respostas à priori, entenderemos desenvolvimento, mudança, vida, como processo. Segundo constataremos que, muitas das ferramentas, técnicas, métodos e conhecimentos produzidos por nós, não serão mais úteis. Terceiro será preciso, criar na relação o ferramental necessário à realização desse velho/novo jeito de fazer a vida.

A característica metodológica inerente ao processo de construção coletiva, cooperação, está baseada principalmente na participação. Exercitar a participação é resgatar o exercício da cidadania, é permitir à pessoa redescobrir seu valor, sua importância e singularidade. Segundo Romano,

“... tudo será diferente quando tivermos metodologias que substituam “conscientização”, “sensibilização” e “educação”, que infantilizam, por “empowerment”, empoderamento – fortalecimento – e energização, que encorajam os excluídos a serem atores e agentes: “isto faz sentido”, “isto eu posso fazer”, “isto eu vou fazer”.(ROMANO, 2002 op. cit)


Para experimentarmos o convite de sermos, como quer Romano, autônomos na ação e interdependentes na missão, devemos aprender e ensinar o papel de protagonista.

DEPENDE DE NÓS

Depende de nós fazermos escolhas para um mundo melhor

Depende de nós mudarmos a forma de pensar/agir

Depende de nós uma Cultura de Cooperação, um fazer humano pautado no diálogo das diferenças em relações de interdependência visando, invariavelmente o bem comum.

Depende de nós a criação de novas técnicas, ferramentas, instrumentos e métodos que promovam o exercício da cidadania.

Depende de nós uma rede institucional cooperativa capaz de ser instrumento na construção de um mundo melhor.

Depende de nós a alegria de viver em paz!