“...
O homem que age é um agente que delibera sobre coisas porque
está consciente de suas finalidades, busca sentido, pessoal
e coletivo, em tudo que faz”.(LUNA, 2003).
Pressupondo
relações onde prevaleçam o sentimento e o fazer
cooperativo, estaremos pensando em uma nova pedagogia, uma forma
de educação que vá além do discurso
e que garanta a criação de acontecimentos –
exercícios pedagógicos – onde a relação
ocupe lugar central. Tecnicamente, o aprendiz – seja o indivíduo,
o grupo, a organização ou a comunidade – é
visto como ator principal de sua vida e de suas proposições.

Protagonista, sujeito de ação, opção e
responsabilidade, capaz de planejar, executar, avaliar e se apropriar
dos resultados considerando sempre a comunidade, seu bem-estar e sustentabilidade:
fazer juntos, autonomamente.
Colocando em pauta os desafios a serem enfrentados
pelos agentes de mudança, técnicos ou gestores, na passagem
de uma cultura marcadamente individualista para uma outra que pressuponha
o exercício da cooperação, lembramos CREMA (1998):
“Vale
aqui a regra de que só podemos facilitar ao outro o crescimento
que já logramos em nós mesmos; só podemos conduzi-los
até o ponto em que chegamos. Não é possível
iluminar para o outro, uma parte, que em nós é escuridão”.
(CREMA, 1998)
É
preciso, portanto, olhar para dentro. Esquecer as mesmices e nos
dispor, enquanto pessoas, a vencer os nossos próprios paradigmas.
Teremos que travar uma luta interna, em momentos de reflexão,
revisão e contestação dos modelos de comportamentos
até então adotados por nós. Teremos que nos
desapegar de verdades prontas e nos disponibilizar a aprender a
aprender A mudança se concretiza em nossas ações
diárias, somente assim, o nosso discurso não será
vazio e seremos agentes capazes de auxiliar outros sujeitos, organizações,
empresas e comunidades em seus processos de mudança.
Não
existem receitas prontas, respostas à priori que nos capacitem
a essa tarefa. Contudo, o primeiro passo é acreditar que
pessoas podem promover mudanças e transformar realidades.
Ao
refletir sobre quem é o agente de mudanças, qual o
seu papel e que habilidades deve possuir para desenvolver seu trabalho,
temos a falsa sensação de que deverá ser uma
pessoa “pronta” para se relacionar, conviver em grupo
e cooperar. Afinal de contas, a lista que compõe as habilidades
necessárias ao desempenho desse papel é, a princípio,
assustadora. Poderíamos começar dizendo da necessidade
de desenvolver a atenção plena, a paciência,
a flexibilidade, o bom humor, a capacidade de argumentação,
de compartilhar, de inovar, de influenciar positivamente as pessoas,
além de uma grande competência técnica. Ousaria
dizer que este é o desafio de toda pessoa que almeja crescer
enquanto ser humano. E aqui se encontra a essência de um agente:
ser humano. Acabamos por fazer uma descoberta,
todos os homens são agentes de mudança. Trabalhar
em uma cultura que pressupõe cooperação é
auxiliar sujeitos a se descobrirem protagonistas de suas histórias,
de seus fazeres e, portanto, responsáveis perante suas escolhas.
Algumas
indagações surgem, neste momento: como é possível
realizar este trabalho? De que recursos, ferramentas, métodos
e técnicas poderemos lançar mão?
Primeiro,
como já sabemos não haver respostas à priori,
entenderemos desenvolvimento, mudança, vida, como processo.
Segundo constataremos que, muitas das ferramentas, técnicas,
métodos e conhecimentos produzidos por nós, não
serão mais úteis. Terceiro será preciso, criar
na relação o ferramental necessário à
realização desse velho/novo jeito de fazer a vida.
A característica
metodológica inerente ao processo de construção
coletiva, cooperação, está baseada principalmente
na participação. Exercitar a participação
é resgatar o exercício da cidadania, é permitir
à pessoa redescobrir seu valor, sua importância e singularidade.
Segundo Romano,
“...
tudo será diferente quando tivermos metodologias que substituam
“conscientização”, “sensibilização”
e “educação”, que infantilizam, por
“empowerment”, empoderamento – fortalecimento
– e energização, que encorajam os excluídos
a serem atores e agentes: “isto faz sentido”, “isto
eu posso fazer”, “isto eu
vou fazer”.(ROMANO, 2002 op. cit)
Para experimentarmos o convite de sermos, como quer Romano, autônomos
na ação e interdependentes na missão, devemos
aprender e ensinar o papel de protagonista.
DEPENDE
DE NÓS
Depende
de nós fazermos escolhas para um mundo melhor
Depende
de nós mudarmos a forma de pensar/agir
Depende
de nós uma Cultura de Cooperação, um fazer
humano pautado no diálogo das diferenças em relações
de interdependência visando, invariavelmente o bem comum.
Depende
de nós a criação de novas técnicas,
ferramentas, instrumentos e métodos que promovam o exercício
da cidadania.
Depende
de nós uma rede institucional cooperativa capaz de ser instrumento
na construção de um mundo melhor.
Depende
de nós a alegria de viver em paz!
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