P R I M E I R A   P Á G I NA
C u l t u r a   d a   C o o p e r a ç ã o
1 Introdução
2 Cultura da cooperação: aprendendo com girassóis e jardins
3 O papel do agente de mudança em relações de cooperação
4 Anexo I

Fatores importantes a serem observados na Constituição/Formação, Funcionamento e acompanhamentos de grupos associativos
5 Anexo II

Contos e histórias: a importância das metáforas

Os macacos e a escada

Um modo de vida

Os sons da floresta

Os talentos

As longas colheres - sendo solidários

A flor e a pedra
   
  Créditos

 



 

 

 

Anexo I -
F AT O R E S   I M PO R T AN T E S   A   S E R E M
O B S ER V A D O S   N A  C O N S T I T U I Ç Ã O/
FO R M A Ç Ã O, F U N C I O N A M E NT O   E   
A C O M P A N H A M E N T O S   D E  G R U P O S  
A S S O C I A T I V OS


As questões abaixo relacionadas são referenciais para uma leitura inicial dos grupos, possibilitando o levantamento de informações importantes ao processo de intervenção, encaminhamento e acompanhamento dos mesmos. As intervenções do técnico responsável serão feitas a partir do diagnóstico inicial, sempre levando em consideração as peculiaridades de cada grupo e a importância de fortalecer as relações de cooperação.

Roteiro para orientação
FATORES
QUESTÕES BÁSICAS
 

De Aglutinação

. Quais são os objetivos a serem alcançados pelo grupo?

. Quais os ideais, valores e crenças são compartilhados por seus membros?

Considerações:
.Todos os pontos de convergência são considerados fatores ou elementos de aglutinação.

. A partir de tais elementos não só são definidas as estratégias de funcionamento do grupo, como são definidas a missão e a visão de futuro.

. O processo de aglutinação não está demarcado em um só momento do grupo, ele acontece durante todo o processo e precisa ser realimentado.


 

De Constituição e Caracterização do Grupo.

. Quem é cada um dos membros do grupo? História de vida, sonhos e projeções?

. Qual o conhecimento que os participantes têm uns dos outros?

. Quais são os limites de cada um, disponibilidades e características pessoais?

. O grupo já está formado ou em fase de constituição?

. As regras de funcionamento já foram estabelecidas? Estão claras?

. Quais os tipos de vínculos estabelecidos e que contratos existem internamente no grupo?

. Qual a sua dinâmica de funcionamento?

. Qual é o nível de maturidade do grupo?

. Qual a linguagem adotada? Já se realizou a passagem do “eu” para o “nós”?

. Quais os tipos de lideranças existentes?

. Como é a comunicação?

. Como funciona o processo decisório?ü Existem níveis de resistência? Quais?

. Que habilidades e talentos – potencialidades – existem no grupo?


Consideração:

. O grupo passa por diversas fases que se diferenciam entre si. As respostas às questões acima são construídas ao longo de todo processo e devem ser constantemente reavaliadas. Elas são indicadores de como o grupo está se desenvolvendo.


De Viabilidade do Negócio
. O negócio já existe ou está sendo pensada sua implantação?

. O negócio é inspirador para todos os participantes? É desejo de todos?

. Existe um planejamento, um plano de negócios?

. Que conhecimento o grupo possuí do negócio em questão?

. O grupo escolheu a melhor forma ou estratégia para conduzir/gerir o negócio?


Consideração:
. Não somente a clareza quanto ao negócio escolhido quanto o real envolvimento de todos os participantes é de fundamental importância para seu sucesso. É possível encontrar resistências geradas no fato de que alguns – às vezes poucos elementos – não acreditam no negócio.

De estruturação de uma organização associativa

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De estruturação de uma organização associativa
. O grupo está motivado com a idéia de trabalhar/produzir de forma coletiva?

. Ele domina os princípios, fundamentos e conceitos da experiência associativa?

. O grupo tem clareza da “ética” que deve permear tal organização?

. O grupo sabe a diferença existente entre as várias formas de organizações associativas?

. A formação de uma organização associativa é a melhor alternativa para o grupo gerir seu negócio? Existem outras? Quais?

. Os participantes estão cientes das implicações inerentes a uma gestão de natureza coletiva?

Consideração:
. Além dos passos de natureza técnica e burocrática, todos os pontos abordados anteriormente são fundantes no processo de estruturação de uma organização associativa.

. Uma vez que ainda predomina a prática e o pensar competitivo é importante que o grupo se prepare para mudança de comportamentos e revisão de paradigmas.

. É indispensável para os técnicos, consultores e instrutores dominar – ter clareza – dos conceitos com os quais o grupo irá trabalhar e sustentar, enquanto prática, uma nova conduta. É necessário, ainda, salientar, que cada conceito pressupõe um aprofundamento teórico, mas, antes de tudo, pressupõe coerência na relação teoria e prática dos sujeitos que lidam com eles. Abaixo estão listados alguns:

COOPERAÇÃO

INDIVIDUALISMO

COLETIVISMO

A PASSAGEM DO “EU” PARA O “NÓS”.

ASSOCIATIVISMO.

COMPARTILHAMENTO.

SOLIDARIEDADE.

AUTONOMIA.

COMUNIDADE.

CIDADANIA.

CO-RESPONSABILIDADE

PARTICIPAÇÃO

PERTENCIMENTO

EMPODERAMENTO

ENERGIA

SINERGIA

REDE

A DIFERENÇA ENTRE TERCEIRIZAÇÃO E PARCERIA

VISÃO SISTÊMICA

INTERDEPENDÊNCIA.

INTERCONEXÃO

CONFIANÇA

COMPROMETIMENTO

INTEGRAÇÃO e outros.

 


Acima estão descritos, de forma sintética, os fatores a serem considerados na constituição/formação, funcionamento e acompanhamento de grupos associativos. Cada um deles – aglutinação, constituição e caracterização do grupo, viabilidade do negócio e estruturação de uma organização associativa – se desdobra numa série de questões a serem verificadas, analisadas e desenvolvidas com, no e pelo grupo. Decorre daí que, os técnicos, consultores e facilitadores, envolvidos no processo, deverão estar imbuídos teórica e praticamente dos princípios da cultura da cooperação.

OUSAR FAZER UM MUNDO MELHOR é parte do tema deste capítulo e para isto é preciso sonhar. Para Paulo Freire (1989),

“Sonham! Isto é o que fazem os profetas... aqueles ou aquelas que se molham de tal forma nas águas da sua cultura e da sua história, da cultura e da história do seu povo, que conhecem o seu aqui e agora e, por isso, podem prever o amanhã que eles mais do que adivinham, realizam”. [FREIRE, 1989].

Ajudar a realizar futuros, tarefa que facilitadores de maneira geral assumem como sua. Eis porque, a cada dia, precisam ser verificadas, por si mesmos, suas competências em todos os níveis: a técnica, a de contexto e a de relação. É grande a responsabilidade, pressupõe saber fazer a vida com o outro, pressupõe dar conta de “agasalhar a esperança do mundo”.

Guimarães Rosa dizia que esta é uma responsabilidade de todos os homens. Ela é maior ainda se este homem é um facilitador da relação dos homens consigo mesmos e com o mundo.

É de responsabilidade de técnicos, consultores e facilitadores ajudar os homens a pensar e compreender tal prática.